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Vista área de Iperó

(Arquivo Câmara Municipal de Iperó)

 

Iperó - história do município remonta a mais de 400 anos

 

Texto/pesquisa: Hugo Augusto Rodrigues

 

Iperó, a 25 quilômetros de Sorocaba, com 50 anos de emancipação, possui cerca de 32,5 mil habitantes. A economia do município é baseada na indústria, comércio e agricultura. Nome de um dos rios que limitam a cidade, a versão oficial diz que Iperó significa “águas profundas e revoltas”. Apesar de criado pela lei estadual 8.092, de 28 de fevereiro de 1964, a instalação do município aconteceu somente em 21 de março de 1965. Por isso, a emancipação é comemorada nessa data até hoje.

 

Estudos sobre a palavra "Iperó"

 

Há outras versões: uma diz que a palavra significaria “rio piscoso” e a outra seria a aglutinação das palavras “Ipê + Peroba” (árvores encontradas no sudoeste e centro-sul do Estado de São Paulo, onde o município está localizado). Também há a apresentada pelo geólogo e arqueólogo Luiz Caldas Tibiriçá, um dos maiores especialistas brasileiros em línguas indígenas, que explica o significado de Iperó como "casca amarga" (igualmente em alusão à Peroba). E além dessas versões, existem os estudos publicados pela Revista do Instituto Geográfico e Geológico de São Paulo:

 

 1 - IPERÓ (Ipirú) – Há para esta palavra três interpretações possíveis, sendo, porém, a mais provável a seguinte: tubarão. De "y": aquele que, o que é, que; "pir" ou "pira": pele, couro, e por extensão da palavra, corpo; "ú": comer, devorar, dilacerar. Y-pir-ú (iperó): aquele que rasga, que devora, que dilacera o corpo, isto é, o tubarão. I-Peró também pode ser um hibridismo tupi-português. De "i" (o), "Peró" (Pedro). Assim, i-Peró seria "o Pedro". Os nossos selvagens que viviam em contato com os civilizados, chamavam de Mandú ao Manoel, de Panicú ao Francisco, de Paurú ao Paulo, de Iuão ao João, de Rorenço ao Lourenço e de Peró ao Pedro. (Pedro é de origem aramaica e significa pedra, rocha). João Mendes de Almeida anota: “Iperó, corruptela de i-pi-rõ, no fundo revolto. De "i", rio, "pi", centro, "rõ", revolver”. Joaquim Branco ao tratar do lugar denominado Peruíbe, esclarece: “A etimologia de seu nome vem da abundância de cações (espécie de tubarão) que entra pelo rio que lhe deu o nome”. No Vocabulário na Língua Brasílica, coordenado pelo Dr. Plínio Airosa, vem registrado: “Yperû-tubarão”. Batista de Castro informa: “Ipirú, iporú, iperú, y-pir-ú = o que dilacera, o tubarão”. Todavia, y-peró ainda pode significar: rio seco, rio enxuto, manancial que secou, extinto. De "y" ou "yg" (água, rio), e "peró" (seco, enxuto). (Revista do IGG, 1947).

 

 2 - Iperó: Esta povoação de Santo Antonio, ao ser elevada à sede de distrito de paz, por proposta da Comissão Revisora da Divisão Administrativa e Judiciária, em 1943, passou a se chamar Iperó, porque no Estado do Rio Grande do Sul já havia cidade com o nome de Santo Antonio. Iperó é o nome de um afluente da margem direita do rio Sarapuí. A sua foz fica a quatro quilômetros desta localidade. É possível que este nome indígena provenha de “ipe-ró”, casca amarga. “Ipe”: casca; “ró, rob, róba, iró, iróba”: amargo, amargor. Peroba, nome da excelente madeira de lei, vem de iperoba. De fato, esta madeira tem forte gosto amargo. Se o nome fosse corruptela de “ipe­ru”, teria o significado de “o que dilacera, o tubarão”. Se de “ipiruig (ipiru-ig), seria traduzido por “rio do tubarão”. Pertence ao município de Boituva. (Revista do IGG, 1951).

 

Peabiru, povoados no entorno do Araçoiaba e origens do município

 

A “Peabiru” era uma extensa rede trilhas que existia desde antes do “descobrimento” do Brasil e passava pela região de Iperó e morro Araçoiaba. O caminho muito batido, com largura em torno de oito palmos, era uma ligação pré-colonial do Atlântico e do planalto com o Guairá, o Paraguai e os Andes (de Cuzco - no Peru - até São Vicente). Muitas tribos guaranis moravam nos extremos e em vários trechos dessas estradas. Em Iperó, diversos artefatos indígenas foram encontrados ao longo dos anos, inclusive alguns bastante raros.

 

Descendo de São Paulo pelo vale do Tietê e os campos do sul, a “Peabiru” se dividia em dois ramos: um à direita, para o Paraguai (atravessando o rio Paranapanema); outro à esquerda, para o Rio Grande do Sul. Os guaranis frequentavam esse caminho e utilizavam as montanhas como pontos de referência. Saindo da serra de São Francisco, contornavam o Araçoiaba. Adiante, avistavam a serra de Angatuba e os morros de Guareí e Bofete. Mais à frente, a serra de Botucatu. À esquerda, atravessavam o Paranapanema e entravam nas florestas onde mais tarde os jesuítas fundaram as “reduções do Guairá”. Passavam pelas Sete Quedas (hoje cobertas pelo lago da Usina de Itaipu) e chegavam ao Paraguai.

 

Ainda no século XVI, houve vários viajantes europeus através desses caminhos. É conhecida a história de Ulrico Schmidel, que foi do Paraguai a São Vicente, passando por Santo André (a vila de João Ramalho) em 1552. Também por esse caminho, é possível que o padre Manoel da Nóbrega tenha chegado à aldeia Maniçoba, região onde hoje é a cidade de Itu. Segundo o escritor Aluísio de Almeida, a “fazenda de Braz Teves, que uma nota do Primeiro livro do Tombo de Sorocaba coloca na foz do Sarapuí com o Sorocaba [hoje Iperó], estava nesse caminho e tinha escravos carijós em quantidade, naturalmente trazidos do Guairá.” (ALMEIDA, 1939)

 

Os primeiros colonizadores utilizaram bastante essas trilhas. Os sertões a oeste de São Paulo presenciaram o aparecimento de uma economia liberal que passou a alimentar a capitania independentemente das diretrizes político-econômicas de Portugal. Pequenos povoados surgiram ao longo do sertão e se tornaram importantes para o desbravamento do território e as bandeiras que se iniciaram algum tempo depois.

 

Após a descoberta das jazidas de ferro no morro Araçoiaba, o governador Dom Francisco de Sousa ordenou a busca de ouro pela região e enviou mineradores aos arredores. Também enviou moradores ao Araçoiaba, dando-lhes terras para a lavoura. No período em que passou por Ipanema, o governador despachou oficialmente a partir da vila fundada aos pés do morro, chamada de Nossa Senhora de Monte Serrat. O lugar se transformou em capital da capitania de São Vicente nesse período de alguns meses. Como não encontraram ouro e nem prata, o governador retornou a São Paulo e a vila deixou de existir. Os primeiros povoadores se dividiram e assim começaram a surgir novos núcleos habitacionais no entorno do morro, sendo que Sorocaba conquistou notoriedade a partir da segunda metade do século XVII.

 

A linha vermelha mostra o possível traçado da "Peabiru"

O ponto azul é a sede da Floresta Nacional de Ipanema e o vermelho é o morro Araçoiaba

 

Trecho da "Peabiru" encontrado no sul do Brasil

(Arquivo Paulo Farina)

 

Urna indígena descoberta pelo morador Olívio Simões Venâncio em 1979

Diversos artefatos indígenas foram descobertos em Iperó ao longo dos anos

("O Estado de S. Paulo" - 10 de agosto de 1979)

 

Sesmarias em terras iperoenses

 

A partir de 1530, o governo português se empenhou em garantir a posse do território brasileiro. Para isso, encontrou o modelo de divisão de terras em suas antigas tradições: as “sesmarias”. Essas porções de terra eram medidas em léguas (uma légua = 6,5 km) e delimitadas por “testada” (frente) e “sertão” (fundo).

 

Basicamente, apenas os nobres, os militares e os navegadores podiam solicitar as terras ao governo. E como nem sempre conseguiam cultivá-las, passavam para pequenos lavradores que ficaram conhecidos como “posseiros”. Não era permitida a transferência de propriedade. Dessa forma, os posseiros plantavam e colhiam, mas não eram os donos legais das terras.

 

A primeira sesmaria de que se tem notícia na região de Sorocaba foi concedida em 1601, em terras da atual Iperó, a partir da qual as concessões se intensificaram. A confirmação desse processo vem através dos dados que retratam o período entre os anos 1600 e 1800.

 

Francisco Rodrigues, uma légua em quadra, foz do rio Sarapuí, 1601

Braz Esteves Leme, foz do rio Sarapuí, por volta de 1646

Jacinto Moreira Cabral, rio Sorocaba, no Ipanema, antes de 1660

Luís Lopes de Carvalho, Ipanema, 1663

João Antunes Maciel, ao longo do rio Sarapuí, por volta de 1690

Vigário Pedro Pinto de Godói, uma légua no Ipanema, em 1692

Fernão de Almeida Leme, rio Sorocaba, início dos anos 1700

Francisco Pais de Almeida e Maria Pimentel, rio abaixo, no Ipanema, antes de 1721

João de Oliveira Falcão, no rio Sarapuí, foz do rio Iperó, 1728

Henrique da Silva Colaço, no Sarapuí, foz do rio Iperó, 1728

João Aguiar Brandão, no Sarapuí, foz do rio Iperó, 1728

João Antunes, no Sarapuí, foz do rio Iperó, 1728

Francisco de Almeida Falcão, no Sarapuí, 1733

Ignácio de Almeida Lara, no Sarapuí, foz do rio Iperó, 1733

Jerônymo Ferraz de Moraes, no Sarapuí, foz do rio Iperó,1733

Antonio Antunes Maciel, rio Sorocaba, próximo à atual estação, depois de 1733

João Alves Gomes, no Sarapuí, foz do rio Iperó, 1736

João Vieira, rio Sarapuí, foz do rio Iperó, 1739

João de Souza Rodrigues, rio Sarapuí, foz do rio Iperó, 1739

José Alves Gomes, rio Sarapuí, foz do rio Iperó, 1739

Felipe Fogaça de Almeida, rio abaixo, 1742

Joaquim Soares, rio Sarapuí, 1742

Padre Paulo de Anhaia Leite, rio Sorocaba abaixo, 1743

Felipe Fogaça de Almeida, rio Iperó, terras anteriormente pertencentes a Thomé de Lara, 1747

Antonio de Almeida Falcão, Bacaetava e rio Sorocaba abaixo, próximo à estação atual, 1763

Felipe Neri Barbosa, rio Sorocaba, 1766

João de Araújo e Silva, rio Sorocaba, 1766

Julião da Silva, rio Sorocaba, 1766

João da Silva Franco, rio Iperó, 1767

José de Almeida Leme, foz do rio Sarapuí, 1780 (terras abandonadas de Braz Teves)

Paulino Aires de Aguirre, Bacaetava, antes de 1798

Igreja de Santo Antonio, Bacaetava, uma légua em quadra, 1798

José Appolinário Libório e Francisco de Almeida, Bacaetava

Manoel Fabiano Madureira, Bacaetava, início dos anos 1800

Francisca e Francisco Feliciano de Oliveira Rosa, fazenda em Bacaetava, antes de 1811

 

Inúmeros problemas surgiram ao longo dos quase 300 anos em que vigorou esse sistema no Brasil. Por isso, em 1822 foram extintas as concessões de sesmarias, beneficiando os posseiros que cultivavam a terra e garantindo o direito de propriedade a eles.

 

           

Foz do rio Sarapuí e foz do rio Iperó - regiões onde foram concedidas diversas sesmarias ao longo dos anos

(Hugo Augusto Rodrigues / José Roberto Moraga Ramos)

 

Esquema aproximado da sesmaria deixada por Paulino Aires de Aguirre em testamento à capela de Santo Antonio - 1798

A área de "uma légua em quadra" (6,5 km x 6,5 km) englobaria Bacaetava, Santo Antonio (velho) e parte de Boituva, além de parte do atual perímetro urbano de Iperó

(Google / Hugo Augusto Rodrigues)

 

Braz Teves, Pascoal Moreira Cabral, Antonio de Almeida Falcão e Antonio Antunes Maciel

Famílias de bandeirantes em Iperó

 

A região de Iperó fazia parte de uma das rotas utilizadas pelos bandeirantes. Havia dois caminhos: o do Tietê e o do Paranapanema. O do Tietê, começando em Araritaguaba, descia o Anhembi (nome primitivo do rio Tietê), o Paraná e subia o Pardo (quando se dirigia a Vacaria). Ou então, seguia-se até o salto do Guairá para subir o Paranapanema (antes da destruição do Guairá). Os bandeirantes sorocabanos preferiram, muitas vezes, atingir o Tietê pelo rio Sorocaba, que só tinha uma cachoeira e era margeado por algumas matas onde havia madeiras para a construção de canoas. Assim, esses bandeirantes passaram por regiões que atualmente pertencem aos territórios de Iperó, Porto Feliz, Boituva, Tatuí, Cerquilho, Jumirim e Laranjal Paulista (foz do rio Sorocaba).

 

Depois das tentativas de povoação em Ipanema (1599) e no Itavuvu (1611), um núcleo de bandeirantes de Parnaíba e São Paulo chegou à “paragem do Sorocaba” por volta de 1646. Entre esses povoadores estava Braz Esteves Leme, que construiu sua casa em um local a sete léguas para o ocidente, “na margem direita do Sarapuí, junto de sua barra no Sorocaba”. (ALMEIDA, 2002)

 

Essa área hoje é o bairro Bela Vista em Iperó. Naquela época era a última casa do oeste paulista, a fronteira do sertão. Os únicos que acompanharam Leme foram os familiares e escravos nativos. O motivo da mudança dele para aquela região seria a sede por ouro e minas, além da pecuária e a lavoura que seriam desenvolvidas conjuntamente. Perto da foz do rio Sarapuí ele construiu uma capela com o título de Nossa Senhora da Conceição, por volta de 1678, mesmo sem a autorização da igreja. Pela distância do povoado em relação a Sorocaba, a capela era necessária para facilitar aos mamelucos e carijós a recepção dos sacramentos, além de não deixar o local sem a presença de civilização cristã. Quando Leme faleceu, em 1700, o local se despovoou e os moradores se espalharam. O sítio e a capela ficaram desertos e foram arruinados com o tempo.

 

Leme é considerado um patriarca em Sorocaba e conhecido também como Braz Teves. É um dos primeiros povoadores sorocabanos, sogro de Pascoal Moreira Cabral (o primeiro) e avô de Pascoal Moreira Cabral (o segundo, fundador de Cuiabá). Pascoal Moreira Cabral (o fundador de Cuiabá) teria nascido nessa propriedade às margens do Sorocaba e Sarapuí, de onde teria acompanhado, desde a infância, o movimento de bandeirantes. O escritor Aluísio de Almeida descreve essa fase da vida de Cabral: “Esse rio grosso de águas e tranquilo no seu deslizar para o poente, que ele via todas as horas frente ao terreiro da fazenda de Braz Teves, era o mesmo que murmurava um convite sob a ponte na vila sorocabana e duas léguas atrás furava em ribombar solene o granito de Itupararanga. Quantas vezes não Ihe passaram sob os olhos canoas vindas da embocadura no Tietê? Imaginar-se pode a alegria com que um dia alcançou em canoa esse grande rio que podia ter conhecido em Itu ou Parnaíba. O infinito ondulado dos campos a seguir sempre para o sudoeste, e onde já passavam as primeiras boiadas, abertos e convidativos, era uma atração para os sonhos do adolescente”. (ALMEIDA, 1939)

 

Ainda em terras iperoenses, o bandeirante Antonio Antunes Maciel, “depois de 1733, viveu em paz com a sua família perto da atual estação de Iperó (rio abaixo), com muitos escravos índios, até cerca de 1745.” (ALMEIDA, 1969) E entre os anos 1760, teria residido na mesma região o bandeirante Antonio de Almeida Falcão que “moço, esteve em Cuiabá com seu pai, Fernando Dias Falcão. Voltando com ‘índios’ à terra natal, afazendou-se, penso que nas alturas de Iperó – estação.” (ALMEIDA, 1969)

 

Nossa Senhora da Conceição e Santa Cruz

 

Além da capela construída por Braz Teves, houve uma outra capela em honra de Nossa Senhora da Conceição na região de Bacaetava, fundada por Francisco Pais de Almeida e a esposa Maria Pimentel. Ficou conhecida como “Capela da Conceição do rio abaixo”. Maria Pimentel já era viúva “quando em 7 de janeiro de 1721 o bispo fluminense Dom Frei Francisco de São Jerônimo provisionou a capela. Tinha altar-mor, arco-cruzeiro, altares laterais de São Sebastião e Nossa Senhora do Rosário. Nem forrada, nem ladrilhada, o altar-mor teve retábulo dourado. Em 1739 a viúva entregou à paróquia a capela que em 1769 estava em péssimo estado. Serviu de cemitério, dentro e no adro. A imagem de São Sebastião era por causa da parte da família daquela vila. Estava à esquerda do rio Sorocaba, nas fraldas do Araçoiaba. Ruiu.” (ALMEIDA, 1969)

 

Já nas ruínas da primeira capela de Braz Teves, foi edificada outra antes de 1750, conforme pesquisa do monsenhor Vicente Hypnarowski. Segundo ele, em meados do século XIX, eram vistas da estrada para Tatuí, que ali atravessava o rio Sarapuí, as ruínas dessa capela que se chamou de Santa Cruz. Quando Campo Largo era apenas um pouso de tropeiros, em 1820, a cruz foi levada para uma nova capela. Era bastante notável pelas pinturas de emblemas nos braços.

 

Rota dos tropeiros passava pelas terras de Iperó

 

A descoberta do ouro em Minas Gerais promoveu a expansão da mineração. Foi preciso aumentar a capacidade de transporte e torná-la mais eficiente. Os muares encontrados no sul passaram a chamar a atenção dos paulistas e iniciou-se o transporte desses animais para a venda nas áreas das minas. O tropeiro contribuiu para a integração nacional ao transportar riquezas entre as regiões do Brasil.

 

O transporte de animais e cargas apareceu em várias partes do país, mas conquistou grandes proporções no caminho entre Viamão (RS) e Sorocaba. A região de Sorocaba deu um salto em desenvolvimento econômico e cultural graças aos tropeiros, que desbravaram os campos, abriram caminhos, transportaram materiais diversos e produziram cultura e folclore. Em 1733, quando a primeira comitiva de muares entrou pelas ruas de Sorocaba, selou-se o destino da cidade que se transformaria na “capital do tropeirismo” e cresceria bastante ao longo de mais de 150 anos.

 

Apesar de ser o ponto central nesse ciclo, Sorocaba não tinha estrutura para suportar toda a demanda, principalmente após a criação da “Feira de Muares” que era realizada anualmente. As tropas precisavam buscar abrigo ao redor da cidade, principalmente no entorno do morro Araçoiaba, nos núcleos surgidos a partir das atividades nas jazidas de ferro. Esses locais se tornaram importantes entroncamentos dos tropeiros e os caminhos percorridos se incorporaram à malha urbana no decorrer dos anos.

 

Iperó está numa dessas rotas, aquela que se dirigia de Botucatu a Sorocaba e passava por Tatuí. De Tatuí a Sorocaba já existiam picadas por onde as tropas arreadas (transportando mercadorias) transitavam. O jornalista Ivan Camargo escreveu que “os tropeiros costumavam ir de Sorocaba até o ‘estabelecimento montanístico’, no morro Ipanema, e dali, seguiam pela trilha ‘Vai e vem’, margeando um ribeirão que viria a ser conhecido como “Manduca”, até atingirem o povoamento de Tatuí, que começava a ganhar corpo na segunda década do século XIX. A primeira estrada aberta em Tatuí foi a chamada ‘Vai e vem’, que ligava o povoamento à Real Fábrica de Ferro de São João de Ipanema.” (CAMARGO, 2008)

 

Esse antigo caminho entre Tatuí e Ipanema era formado por grandes sesmarias para a criação de gado. Não houve construtores, pois não se fazia estradas naquela época. Os fazendeiros e peões abriam picadas e o chão se firmava conforme o gado pisoteava. Pedro Antunes de Oliveira, iperoense e descendente de tropeiros, conta que as tropas atravessavam o rio Sarapuí na região do bairro Guarapiranga, percorriam o Sapetuba e se dirigiam a Bacaetava e Ipanema antes de chegar a Sorocaba. “Depois que atravessavam o rio Sarapuí, já na área atual de Iperó, seguindo a estrada havia a venda do “João do padre” e do Inácio Américo. Cheguei a conhecer tropeiros que negociavam mulas e passavam pelas fazendas da região, mas os que transportavam cargas não são do meu tempo. Toda a Iperó de hoje tinha terras que serviam para a criação de gado, cavalo, burros e cabras. A agricultura era muito fraca ainda. Havia estradas que vinham de Tatuí e de Boituva e se juntavam numa encruzilhada pouco antes de Bacaetava. Ali havia a venda do Ezequiel Ribeiro, que era bastante movimentada, e também uma antiga capela.”

 

Bacaetava foi uma das localidades mais beneficiadas e passou a lucrar com as ações do tropeirismo. Tropeiros vindos de Botucatu se encontravam com os tropeiros vindos do sul. Na região, juntamente com Capela do Alto e Campo Largo (hoje Araçoiaba da Serra), havia condições favoráveis para que as comitivas armassem os “faxinais”, grandes espaços utilizados para o descanso e o tratamento dos animais. Olarias, ferrarias, atividades mineradoras e madeireiras. Ali surgiu um comércio onde se negociava um pouco de tudo.

 

Paralelamente ao tropeirismo, a criação da Real Fábrica de Ferro também provocou uma alteração na demografia da região. Conforme escreveu Aluísio de Almeida, “o outro lado do Araçoiaba estava estourando de tanta gente e ainda tinha algum mato. Em 1811, o governo e os acionistas compraram por 800 mil réis três quartos de légua de terras do morro. Não mexeram com o fazendeiro rico Francisco Feliciano de Oliveira Rosa, dono da fazenda que fora de Almeida Leme e capela de São Sebastião, rio Sorocaba adiante, mas desapropriaram 100 proprietários, herdeiros ou adquirentes de antiga sesmaria e que apresentaram suas escrituras. O comprimento ou sertão era uma légua. A testada, algumas braças, tudo isso obrigou as famílias a saírem. Gente pobre, vivia de uma rocinha, talvez cercada de varas num total indiviso.” (ALMEIDA, 1967)

 

Não é difícil imaginar que esses 100 desapropriados, juntamente com a suas famílias, tenham se dividido e ido para as atuais Araçoiaba da Serra, Capela do Alto, Tatuí e Iperó. No fim do século XIX, após o fim da “Feira de Muares” de Sorocaba e das atividades da Real Fábrica de Ferro de Ipanema, esses povoados continuaram desenvolvendo suas atividades sociais e econômicas. Nessa fase, ex-escravos, agropecuaristas, ex-mineiros e ex-técnicos ligados à Real Fábrica de Ferro também se juntaram a esses núcleos.

 

Outra região importante durante esse período, o chamado “bairro do Iperó” surge em escritos desde o século XVIII. Esse Iperó (entre Bacaetava, o morro Araçoiaba e os municípios de Capela do Alto e Araçoiaba da Serra), conhecido atualmente como “Iperozinho”, contribuiu bastante para o desenvolvimento de Sorocaba.

 

O declínio do tropeirismo praticamente coincidiu com o início da ferrovia. A Estrada de Ferro Sorocabana inaugurou a estação em Bacaetava em 1880 e rumou para o oeste. A presença do trem acelerou o progresso da vila, que em pouco tempo passou a contar com hotel, cartório e agência de correios. Nessa mesma época chegaram muitas famílias de imigrantes, sendo italianos na maior parte, que se instalaram no entorno de Ipanema, principalmente em Bacaetava e Villeta (atual George Oétterer).

 

              

Pedro Antunes de Oliveira - descendente de tropeiros e conhecedor de parte importante da história de Iperó

Através dele, chegamos até o local onde existia uma ponte por onde passavam os tropeiros

(José Roberto Moraga Ramos)

 

Rio Sarapuí - no local existia uma ponte por onde passavam os tropeiros

Esquerda - Tatuí / Direita - Iperó

(José Roberto Moraga Ramos)

 

Tropeada - anualmente é refeito o caminho das tropas, entre Itararé e Sorocaba, passando por Iperó

(Prefeitura Municipal de Iperó)

 

Desfile de cavaleiros - evento anual recorda as tradições tropeiras

(José Roberto Moraga Ramos)

 

Nascimento do atual perímetro urbano e a retificação do traçado da ferrovia

 

Sobre a Iperó de hoje, mapas produzidos para a Real Fábrica de Ferro por volta de 1850 mostram que havia um cemitério próximo ao atual “Vale das Orquídeas”. Possivelmente é o cemitério da “Capela da Conceição do rio abaixo”, que deve ter sido utilizado mesmo após a destruição da igreja. Ainda não foi possível identificar as circunstâncias da desativação desse cemitério antigo e o motivo da abertura do outro que existe até hoje. Relatos de antigos moradores informam que o cemitério atual data, aproximadamente, de 1880. Toda a área pertencia a Bacaetava e isso ajuda a explicar o motivo de situar-se em local afastado do atual centro de Iperó. Eram sepultadas pessoas de Bacaetava, Sapetuba, Guarapiranga e Jutuba.

 

Esses mesmos mapas mostram diversas estradas que cortavam o território hoje pertencente ao município. Nas regiões de Bacaetava, Corumbá, Cagerê e Villeta, todas no entorno de Ipanema, no fim do século XIX já é possível citar a presença das famílias Guazzelli, Plens, Quevedo, Holtz, Popst, Piccinato, Bertolaccini, Hessel, Corrêa, Vieira, Paiffer e Oétterer, dentre tantas outras. Nessa mesma época, a área do atual perímetro urbano de Iperó (margem esquerda do rio Sorocaba) era conhecida como “Várzea”. Uma escritura de 1899 descreve como “Várzea, bairro do Bacaetava, município de Campo Largo de Sorocaba.” No início do século XX, apesar de não ser precisa a data, estavam nessa área Generosa Maria do Rosário, Samuel Domingues dos Santos, Porphírio José de Almeida, Gustavo Sartorelli e suas respectivas famílias. No entorno estavam também as famílias Antunes, Antunes Moreira (os Bento), Antunes Vieira (os Caetano) e Antunes Gonçalves (os Paula). Todos desenvolviam uma economia de subsistência.

 

Dezenas de proprietários, dentre os quais Rita Maria Motta de Almeida (viúva de Porphírio de Almeida), negociaram parte das suas terras junto à Estrada de Ferro Sorocabana, em 1926, para que o percurso de trilhos pudesse ser retificado e duplicado. Logo se iniciaram os serviços de terraplenagem para a construção da estação e das vias férreas que levariam à Alta Sorocabana e ao sul do Estado. Com a retificação e duplicação do traçado, a linha passou a ir para a “Varzea”, que devido à existência de grandes áreas de planície e do aterro construído para a instalação do pátio ferroviário, passou a se chamar de “bairro da Esplanada”. A nova estação, transferida do bairro Santo Antonio (velho), foi construída em terras iperoenses e trouxe o nome de Santo Antonio. É possível encontrar referências como “Santo Antonio novo” ou “Santo Antonio da Sorocabana”.

 

Iperó estava localizada estrategicamente: o ramal de Itararé passou a sair daqui e é aqui que terminou a linha dupla da ferrovia vinda de São Paulo. A partir de dezembro de 1928, com a inauguração da nova estação, o povoado cresceu e passou a se movimentar bastante. A ferrovia é um dos marcos históricos da cidade. Entre 1929 e 1930 foram construídas as casas da Sorocabana que existem até hoje. A vila se desenvolveu após a chegada da ferrovia. Apesar de a economia, naquele momento, ser baseada na agricultura, o local já contava com diversas famílias de ferroviários.

 

Por volta de 1934 o povoado passou a se chamar “bairro de Santo Antonio” e desapareceu o nome “bairro da Esplanada”. Já residiam em Santo Antonio outros pioneiros, como Gumercindo de Campos, Sada Eid, Augusto Garcia, Francisco Politani, Vital da Silva Rosa, Alfredo Sartorelli, Mário de Melo, dentre tantos outros, juntamente com as suas famílias.

 

A cidade deve a sua base socioeconômica e histórico-cultural às famílias que passaram precariamente pelo território desde o século XVI. Com a chegada da ferrovia, a criação do importante entroncamento ferroviário atraiu centenas de outras famílias que vieram se juntar ao núcleo urbano da atual Iperó e levaram adiante a história que, àquela altura, já contava com mais de 300 anos.

 

Reprodução de parte do mapa de 1850 - Real Fábrica de Ferro e entorno

É possível identificar bairros como Bacaetava, Corumbá e Cagerê

Próximo ao atual perímeto urbano aparece o "campo do cemitério"

(Arquivo Biblioteca Nacional)

 

Reprodução de parte de outro mapa da mesma época - Real Fábrica de Ferro e entorno

Estradas (linhas vermelhas) e residências (círculos amarelos) nas atuais regiões de George Oétterer, Ipanema, Cagerê, Corumbá, Bacaetava, Sapetuba, Iperó e Bela Vista

(Arquivo Biblioteca Nacional)

 

Mudança de nome, elevação a distrito e emancipação

 

Em 1938, Santo Antonio passou a pertencer a Boituva e se desvinculou de Campo Largo (atual Araçoiaba da Serra). O decreto-lei federal 311 (2 de março de 1938) disciplinou a divisão territorial do Brasil e vedou que dois ou mais locais em um Estado tivessem o mesmo nome. O Conselho Nacional de Geografia, antecessor do IBGE, ficou encarregado de definir quais locais teriam que modificar os nomes. Em 1943, o decreto-lei federal 5.901 (21 de outubro) disciplinou as “revisões quinquenais” que deveriam ser feitas em cada Estado, estendendo o critério de igualdade de nomes. Assim, o objetivo era resolver os problemas de denominação de “dois locais em um Estado” e posterior “eliminação, no país, da repetição de topônimos de cidades e vilas”. Seguindo essas legislações, no fim de 1943 o nome de Santo Antonio precisou ser mudado, pois já existia outra Santo Antonio no Rio Grande do Sul (de acordo com a "Revista do IGG"). E o nome foi alterado para Iperó.

 

No ano seguinte, 1944, Iperó foi elevado à categoria de distrito. Nessa época já contava com o grupo escolar, o correio, o posto de saúde e a igreja matriz dedicada a Santo Antonio. O cartório foi instalado em 1945. Gumercindo de Campos foi nomeado sub-prefeito nesse mesmo ano. O distrito cresceu. No início da década de 1960 fortaleceu-se a ideia da emancipação política, sendo um movimento liderado por políticos locais. Em contrapartida, lideranças de Boituva descontentes com a possível divisão dos territórios, recorreram ao então governador Adhemar de Barros para que ele vetasse a criação do novo município. Um plebiscito realizado em 1 dezembro de 1963 decidiu pela emancipação de Iperó, que viria através da lei estadual 8.050 (dezembro de 1963). Mas Barros vetou a criação do município.

 

José Homem de Góes (Zé Borba), primeiro prefeito de Iperó, nos contou sobre o episódio do veto: "O projeto foi para a Assembleia Legislativa, que aprovou a emancipação. Apareceu uma meia dúzia de municípios tão pobres quanto Iperó e o Adhemar vetou... inclusive Iperó. Na segunda-feira eu estava lá brigando com ele. Ele disse: 'Puxa... eu vetei, mas não queria vetar Iperó. Queria que vocês emancipassem. Vamos fazer o seguinte: traga o Cyro [Albuquerque, presidente da Assembleia Legislativa] aqui.' Fui atrás do Cyro na casa dele, no Ibirapuera, e voltamos ao palácio para falar com o Adhemar novamente. Ele disse: 'Cyro, eu vetei Iperó, mas vocês vão derrubar o veto. Controle os deputados lá. Eu vou ligar para a minha turma, para que todos votem favoráveis a derrubar o veto.' A única deputada que votou contra foi a Conceição Costa Neves, que achou que era algum ‘rolo’ que estavam fazendo. Segundo ela, como iria emancipar um município que não tinha condições nem de ser distrito? Ela acabou com a gente. Mas chegou na hora, a turma derrubou o veto e ela ficou com uma cara louca de brava."

 

O veto foi derrubado pela Assembleia Legislativa e o município de Iperó nasceu oficialmente através da lei estadual 8.092 (28 de fevereiro de 1964). Durante o processo da emancipação, Iperó perdeu grande parte das terras que pertenciam ao distrito: a divisa, que antes atravessava o rio Sorocaba, passou a ser o próprio rio. Em contrapartida, foi anexado o distrito de Bacaetava, que até então pertencia a Araçoiaba da Serra. Após as eleições de 7 de março de 1965, o município foi instalado em 21 de março, quando aconteceu a posse do prefeito, vice e vereadores da gestão 1965-1968.

 

Resolução da Assembleia Legislativa para a realização do plebiscito em Iperó

(Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo)

 

Campanha pelo "SIM" no plebiscito que decidiu pela separação de Iperó - 1 de dezembro de 1963

(Arquivo Geraldo Politani - Telo)

 

Encontro com Adhemar de Barros - 1963

(Arquivo Geraldo Politani - Telo)

 

Encontro em Itapetininga, na casa do deputado Cyro Albuquerque, para a emancipação de Iperó

(Arquivo Elizeu Eid e Rosana de Campos Eid)

 

Encontro em Itapetininga, na casa do deputado Cyro Albuquerque, para a emancipação de Iperó

(Arquivo Elizeu Eid e Rosana de Campos Eid)

 

Encontro em Itapetininga, na casa do deputado Cyro Albuquerque, para a emancipação de Iperó

(Arquivo Elizeu Eid e Rosana de Campos Eid)

 

Encontro em Itapetininga, na casa do deputado Cyro Albuquerque, para a emancipação de Iperó

(Arquivo Elizeu Eid e Rosana de Campos Eid)

 

Reunião pleiteando a emancipação de Iperó

 

Reunião pleiteando a emancipação de Iperó

(Arquivo José Roberto Moraga Ramos)

 

Reunião pleiteando a emancipação de Iperó

(Arquivo José Roberto Moraga Ramos)

 

Reunião pleiteando a emancipação de Iperó

(Arquivo José Roberto Moraga Ramos)

 

Reunião pleiteando a emancipação de Iperó

(Arquivo José Roberto Moraga Ramos)

 

Assinatura de documentos referentes à emancipação

(Arquivo José Roberto Moraga Ramos)

 

Assinatura de documentos referentes à emancipação

(Arquivo José Roberto Moraga Ramos)

 

Assinatura de documentos referentes à emancipação

(Arquivo José Roberto Moraga Ramos)

 

Assinatura de documentos referentes à emancipação

(Arquivo José Roberto Moraga Ramos)

 

Assinatura de documentos referentes à emancipação

(Arquivo José Roberto Moraga Ramos)

 

Nota sobre a instalação do município de Iperó

("Cruzeiro do Sul" - 23 de março de 1965)

 

José Alves, Benedito Pires, Joaquim Pedroso Ramos, Milton Sartorelli, Adhemar de Barros,

José Homem de Góes, Bertolaccini, José de Moraes, Gabriel Américo e Benedito Paula Leite Júnior

Encontro em 1965 - primeira administração municipal

(Cópia - Arquivo Hugo Augusto Rodrigues)

 

Primeiros funcionários da prefeitura de Iperó - 1965

(Arquivo José Roberto Moraga Ramos)

 

Primeiros funcionários da prefeitura de Iperó - 1965

(Arquivo José Roberto Moraga Ramos)

 

Iperó, 50 anos depois...

 

A ferrovia foi uma das marcas do desenvolvimento iperoense, mas intensificou o processo de decadência a partir da década de 1970. A crise ferroviária fez com que o município, ainda nos primeiros anos, temesse pela própria sobrevivência. Assim, Iperó viu a necessidade da mudança na sua vocação e planejou a construção de um distrito industrial no fim dos anos 1970. Com o passar dos anos, as empresas instaladas absorveram a mão-de-obra que a ferrovia deixou de empregar.

 

Ao longo do tempo verificamos erros e acertos, antes e depois da emancipação. A cidade ainda tem diversos problemas a serem resolvidos, nas áreas que vão do social ao econômico, assim como acontece em muitas outras cidades por todo o Brasil. Hoje, além da indústria, o comércio e a agricultura permanecem como aspectos importantes para a economia de Iperó. A ferrovia continua na rotina local, mas somente através dos poucos trens de cargas que atravessam o município diariamente.

 

Completando 50 anos, a cidade que é conhecida nacionalmente pela Floresta Nacional de Ipanema (Ministério do Meio Ambiente) e pelo Centro Experimental Aramar (Marinha do Brasil), se prepara para o nascimento do segundo distrito industrial na estrada Iperó-Sorocaba. O novo pólo deve levar o desenvolvimento iperoense em direção à sede da região metropolitana. Poucos quilômetros adiante será construído o Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), maior reator nuclear de pesquisas do Brasil. Através do RMB, a Iperó do século XXI deverá se tornar um centro de referência nas áreas de Ciência e Tecnologia.

 

Imagens de Iperó disponíveis no YOUTUBE

 

Inauguração da luz elétrica em Iperó - década de 1940

(Arquivo Luís Gustavo Lopes)

 

Calil Eid (vereador por Iperó) e Saraiva (prefeito de Boituva)

 

Encontro com o governador Jânio Quadros

Na foto, Saraiva (prefeito de Boituva - sentado à direita) e Calil Eid (vereador por Iperó - em pé, com gravata xadrez)

(Arquivo Wilson Alves)

 

Construção da ponte sobre o rio Sarapuí

(Cópia - Arquivo Geraldo Politani/Telo)

 

Posse do prefeito, vice e vereadores de Boituva - 1960

(Arquivo Wilson Alves)

 

Posse do prefeito, vice e vereadores de Boituva - 1960

Dentre os representantes de Iperó, Abdias Gama e Guerino Bertoni

(Arquivo Wilson Alves)

 

Comício realizado em Iperó - 1962

Campanha de Ítalo Fitipaldi para deputado federal

(Arquivo José Roberto Moraga Ramos)

 

Comício realizado em Iperó - 1962

Campanha de Ítalo Fitipaldi para deputado federal - discurso de Cyro Albuquerque

(Arquivo José Roberto Moraga Ramos)

 

Inauguração da loja de Benedito Paula Leite Júnior - 1956

Esquina das ruas Santo Antonio e Porfírio de Almeida

(Arquivo Família Paula Leite)

 

Inauguração da loja de Benedito Paula Leite Júnior

(Arquivo Família Paula Leite)

 

Inauguração da loja de Benedito Paula Leite Júnior

(Arquivo Família Paula Leite)

 

Rainha e princesas do Sorocabana

(Arquivo José Roberto Moraga Ramos)

 

Tradicional carnaval em Iperó

 

Tradicional carnaval em Iperó

 

Tradicional baile de carnaval em Iperó

 

Tradicional baile de carnaval em Iperó

 

Carnaval em Iperó - década de 1970

(Arquivo Alex Calixto)

 

Carnaval em Iperó - fim da década de 1970

(Arquivo José Homem de Góes)

 

Carnaval em Iperó - fim da década de 1970

(Arquivo José Homem de Góes)

 

Carnaval em Iperó - fim da década de 1970

(Arquivo José Homem de Góes)

 

Carnaval em Iperó - fim da década de 1970

(Arquivo José Homem de Góes)

 

Carnaval em Iperó - fim da década de 1970

(Arquivo José Homem de Góes)

 

Felício Eid, "Zé da máquina" e populares - década de 1950/1960

 

Urbano Martins (de chapéu), um dos taxistas pioneiros na cidade

(Arquivo Danilo Martins)

 

Rifa para arrecadação de fundos à construção do poço artesiano de Iperó - 1964

(Arquivo Geraldo Politani - Telo)

 

Inauguração do matadouro - 1965

(Arquivo José Roberto Moraga Ramos)

 

Inauguração do matadouro - 1965

(Arquivo José Roberto Moraga Ramos)

 

Inauguração do matadouro - 1965

(Arquivo José Roberto Moraga Ramos)

 

Inauguração da caixa d'água - 1966

("Cruzeiro do Sul")

 

Lideranças políticas locais - década de 1960

(Arquivo José Roberto Moraga Ramos)

 

Encontro com Paulo Maluf - Secretário de Transportes do Estado de São Paulo à época

Na foto, o prefeito Benedito Paula Leite Júnior (em pé ao centro)

(Arquivo Wilson Alves)

 

Visita do governador Laudo Natel a Boituva - políticos iperoenses também presentes

(Arquivo Wilson Alves)

 

Eleições municipais - 1972

(Cópia - Arquivo Hugo Augusto Rodrigues)

 

Eleições municipais - 1972

(Cópia - Arquivo Hugo Augusto Rodrigues)

 

Eleições municipais - 1972

(Arquivo Eliana Gasparini Del Vigna)

 

Eleições municipais - 1972

(Arquivo José Roberto Moraga Ramos)

 

Eleições municipais - 1972

(Arquivo Matilde Harder Eid)

 

Eleições municipais - 1972

(Arquivo Júnior Penteado)

 

Posse dos vereadores da gestão 1973-1976

(Arquivo Júnior Penteado)

 

Encontro de lideranças locais no Clube Sorocabana

(Arquivo Liráucio Zovaro)

 

Encontro de lideranças locais no Clube Sorocabana

(Arquivo Padre Calixto)

 

Encontro de lideranças locais no clube Sorocabana

(Arquivo Padre Calixto)

 

Entrega de certificados de dispensa do Exército - 1974

(Arquivo Luís Gustavo Lopes)

 

Entrega de certificados de dispensa do Exército - 1974

(Arquivo Luís Gustavo Lopes)

 

Entrega de certificados de dispensa do Exército - década de 1970

(Arquivo José Homem de Góes)

 

Início das obras de asfaltamento da estrada Iperó a Boituva - década de 1970

Cumprimentam-se o governador Paulo Egydio e o vereador João de Oliveira Rosa  

(Arquivo Luís Gustavo Lopes)

 

Início das obras de asfaltamento da estrada Iperó a Boituva - década de 1970

Cumprimentam-se o governador Paulo Egydio e o vereador João de Oliveira Rosa  

(Arquivo Luís Gustavo Lopes)

 

Exposição de Orquídeas - década de 1970

(Arquivo José Homem de Góes)

 

Exposição de Orquídeas - década de 1970

(Arquivo José Homem de Góes)

 

       

Inauguração do Banco Real - setembro de 1975

(Arquivo Luiz Camargo - "O Estado de S. Paulo")

 

Inauguração do Banco Real - setembro de 1975

(Arquivo Luiz Camargo)

 

Inauguração do Esplanada - fim da década de 1970

(Arquivo José Roberto Moraga Ramos)

 

Inauguração do Esplanada - fim da década de 1970

(Arquivo Luís Gustavo Lopes)

 

Posse dos vereadores da gestão 1977-1982

Na foto: Hélio Sartorelli, Agenor de Campos, Nenê Politani, Marcos Andrade,

Paulo Simão, João de Oliveira Rosa, Antonio Bueno de Camargo e Antonio Cardoso (Caçapa)

(Arquivo Paulo Simão)

 

Posse do prefeito, vice e vereadores da gestão 1977-1982

Na foto: Marcos Andrade, Hélio Sartorelli, Nenê Politani, Dinho Sartorelli, Antonio Cardoso, José Homem de Góes,

João de Oliveira Rosa, Antonio Bueno de Camargo, Agenor de Campos e Paulo Simão 

(Arquivo Paulo Simão)

 

Inauguração do posto de saúde - fim da década de 1970

(Arquivo José Homem de Góes)

 

Inauguração do posto de saúde - fim da década de 1970

(Arquivo José Homem de Góes)

 

Visita do governador Paulo Egydio para inauguração da área de lazer - fim da década de 1970

(Arquivo José Homem de Góes)

 

Encontro com o governador Paulo Maluf - início da década de 1980  

(Arquivo José Homem de Góes)

 

Zé Borba e Cunha Bueno na inauguração do atual prédio da Prefeitura Municipal e antiga Câmara Municipal

(Arquivo José Homem de Góes)

 

Sessão da Câmara - início da década de 1980

(Arquivo Luís Gustavo Lopes)

 

Encontro do MDB local com Orestes Quércia - 1982

(Arquivo Luís Gustavo Lopes)

 

Carteirinha da campanha de João Sartorelli - 1982

(Arquivo Hugo Augusto Rodrigues)

 

Inauguração do Paço Municipal "Carlos Sartorelli" - 1988

(Arquivo Luís Gustavo Lopes)

 

Sessão da Câmara - início da década de 1990

(Arquivo Luís Gustavo Lopes)

 

Realização do censo em Iperó

 

Soldados de Iperó nas décadas de 1970/1980

(Arquivo Márcia Silva)

 

Orlando Ferreira, farmacêutico pioneiro em Iperó

(Arquivo Marco Polo Calandriello)

 

Avenida José Marques Penteado - 2011

(José Roberto Moraga Ramos)

 

Terminal rodoviário - 2011

(José Roberto Moraga Ramos)

 

Praça da matriz - 2014

(José Roberto Moraga Ramos)

 

Vista da cidade a partir da estrada Iperó a Boituva

(José Roberto Moraga Ramos)

 

Vista da cidade a partir de Boituva

(José Roberto Moraga Ramos)

 

 

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