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Floresta Nacional de Ipanema: represa construída em 1811 e parte do conjunto arquitetônico com o morro ao fundo

(Neide Weingrill - neideweingrill.com.br)

 

Floresta Nacional de Ipanema - berço da siderurgia americana (1589-2015)

Real Fábrica de Ferro de São João de Ipanema - 205 anos (1810-2015)

PATRIMÔNIO DE IPERÓ - ORGULHO DOS IPEROENSES

 

Informações sobre visitação: Instituto Chico Mendes - ICMBio ou (15) 3266 9099

 

Texto/pesquisa: Hugo Augusto Rodrigues

 

A Floresta Nacional de Ipanema (antiga Fazenda Ipanema), em Iperó, foi criada em 20 de maio de 1992 e abriga os remanescentes da primeira siderúrgica americana. Jazidas de ferro foram encontradas no morro Araçoiaba há cerca de 426 anos. A Flona de Ipanema é um dos maiores ecossistemas de Mata Atlântica existentes hoje no Brasil. As atividades relacionadas ao ferro naquela região, desde o século XVI, contribuíram para a origem de várias cidades da região de Sorocaba e o desenvolvimento do Brasil.

 

O morro Araçoiaba

 

O morro Araçoiaba (Ybiraçoiaba na escrita primitiva) é comumente chamado "morro de Ipanema", mesmo nome do rio cujas “águas ruins” eram utilizadas na indústria de ferro. Os indígenas e, posteriormente, os bandeirantes, notaram que o sol se punha atrás daquela cadeia de montanhas. É possível perceber isso, por exemplo, quando passamos pela estrada Iperó-Sorocaba num fim de tarde. Foi assim que adotaram o nome Araçoiaba, significando “coberta do dia”, “esconderijo do sol”. Alguns escritores também se referem ao conjunto de montanhas como sendo o "cerro Araçoiaba" ou, incorretamente, como “serra Araçoiaba”.

 

Affonso Sardinha, Dom Francisco de Sousa, Frei Pedro de Souza e Domingos Pereira Ferreira

 

Affonso Sardinha chegou a Ipanema por volta de 1589. Ele e o filho, também Affonso Sardinha, vinham do Jaraguá procurando ouro. Eram grandes as dificuldades para se chegar a Ipanema naquela época. Para ilustrar isso, em 1904 João Pandiá Calógeras escreveu sobre as minas de São Paulo e citou um texto de 1710 a respeito da busca por metais “na serra Ibirasojaba, distante oito dias da vila de Sorocaba e doze da vila de São Paulo a jornadas moderadas”. Os Sardinha acreditavam que encontrariam jazidas de ouro, mas em vez disso descobriram, literalmente, uma montanha de ferro. Encontraram jazidas de magnetita e óxido de ferro no rio das Furnas. Contentando-se com o “gato”, visto não terem apanhado a “lebre”, construíram dois fornos do tipo catalão onde o ferro não chegava ao estado líquido, mas podia ser trabalhado.

 

Pouco tempo depois, em 1591, Dom Francisco de Sousa iniciava o seu governo e era também o administrador-geral das minas do Brasil. Político erudito e hábil, ficaria conhecido como “Dom Francisco das manhas”. Ao saber dos achados dos Sardinha, partiu em direção a São Paulo em 1598 e foi para a região de Ipanema. Levou com ele os mineiros Jaques de Unhalte e Geraldo Betim, além de Baccio de Filicaia, Cornélio de Arzão, soldados e o povo. Após verificar as excelentes condições das minas, Sousa teria obrigado os Sardinha a cederem a área à Coroa.

 

Dom Francisco de Sousa levantou um pelourinho em 1599 e passou a chamar o local como Nossa Senhora de Monte Serrat. Despachou oficialmente a partir da nova vila, que se transformou em capital da capitania de São Vicente, ordenando que se buscasse ouro pela região. “Alguns meses ficou no Araçoiaba, que também se chama Ipanema por causa do ribeirão, no meio de tanta penúria, aquele grande teimoso, enviando os mineiros para os arredores, por exemplo a Bacaetava e ao Sarapuí.” (ALMEIDA, 1969)

 

Não foram encontrados ouro e nem prata nesse período. O governador teria fundado, então, um engenho de ferro. Mas o local durou pouco. Se existiu alguma produção de ferro, não enriqueceu a ninguém. Depois dessa decepção, Dom Francisco de Sousa retornou à capital e a vila praticamente deixou de existir. Os povoadores se dividiram e a maior parte também retornou a São Paulo. Entre os que ficaram, começaram a criar novos núcleos habitacionais no entorno do morro, sendo junto ao engenho, sendo no Itapebuçu (pedra chata grande), posteriormente Itavuvu, à beira do rio Sorocaba.

 

Um desses povoados (o Ipanema ou o Itavuvu) se chamou São Filipe, fundado entre 1600 e 1611. O governador mudou o local e o teria chamado de São Filipe em alusão ao rei espanhol Felipe II. Devido ao sossego desses primeiros povoados e a dificuldade em progredir, habitantes do Ipanema, do Itavuvu e de outros pontos transferiram-se para a área onde se formou um novo núcleo - o de Baltazar Fernandes - que deu origem a Sorocaba.

 

A fábrica ficou abandonada. Por volta de 1660 teriam encontrado novamente as jazidas de ferro do Araçoiaba que estavam “esquecidas”. A descoberta chegou ao ouvidor da comarca de Itanhaém (que abrangia a região de Ipanema) e ele veio pessoalmente verificar a existência das reservas. Considerando-as importantes, publicou alvará proibindo que as pessoas se estabelecessem naquelas terras, sob pena de morte. Novamente não houve desenvolvimento e o local foi abandonado.

 

Em 1681 o governo português demonstrou interesse pelas minas mais uma vez. Frei Pedro de Souza foi enviado para examinar a região, mas não concluiu nada de positivo. Passados quase 70 anos desde os estudos do frei, Portugal permitiu a exploração da área por particulares em 1750. Foi organizada uma sociedade, sendo sócios Domingos Ferreira Pereira (com o privilégio de explorar as minas e montar uma fábrica de ferro), Mateus Lourenço de Carvalho, Manuel del Lineiva Cardoso, Antonio Lopes, Jacinto José de Abreu, Antonio Romar Dória, João Geraldi e o sargento-mor Antonio Ferreira de Andrade. Essa sociedade passou a atuar por volta de 1765, mas também não foi adiante o empreendimento, pois além da pouca produção de ferro, as exigências e os ônus previstos no contrato (impostos cobrados, por exemplo) obrigaram os aventureiros a abandonar a área. Desaparecia a fábrica de Ipanema e assim ficou até o início do século seguinte. 

 

A Real Fábrica de Ferro de São João de Ipanema

 

Só restavam as minas em Ipanema e tudo o mais estava abandonado. O maior esforço a fim de se implantar definitivamente uma siderúrgica em Ipanema surgiu no início do século XIX, quando o ministro Conde de Linhares ordenou o reinício das explorações no morro Araçoiaba. Com a chegada da Família Real ao Brasil, em 1808, Linhares autorizou a fundação de duas fábricas de ferro: uma em Minas Gerais e outra em Ipanema. O principal objetivo era libertar Portugal da dependência da indústria estrangeira.

 

Frederico Guilherme de Varnhagen (que servia o exército português) foi trazido da Europa e o conselheiro Martim Francisco ficou encarregado de demarcar a área para os trabalhos de mineração, além de fazer estudos relacionados à instalação e operação da fábrica de ferro. A fábrica de Ipanema foi reconstruída e em 4 de dezembro de 1810 nasceu a Real Fábrica de Ferro de São João de Ipanema, ratificando o pioneirismo da siderurgia no Brasil e na América Latina. Mas ao invés de Varnhagen, foi contratado o sueco Carl Gustav Hedberg para dirigir o empreendimento.

 

Uma época de esplendor era sonhada pelos idealizadores. Engano. A Suécia não enviou técnicos verdadeiros, mas sim pessoas que se envolveram em desvios de materiais, dinheiro e diversos escândalos. Hedberg trouxe uma colônia de operários e construiu as forjas suecas para o tratamento do ferro, mas era um sistema precário que só preparava o metal para a fabricação de pequenos instrumentos de lavoura. Esse sistema não funcionava para a fundição de peças que exigiam grande resistência.

 

Hedberg ocupou o cargo entre 1810 e 1814, gastou mais de 8 mil contos de réis e produziu apenas 14,7 toneladas de ferro, enquanto a fábrica havia sido projetada para produzir 588 toneladas. Ele foi o responsável pela construção da represa no rio Ipanema, primeiro rio brasileiro a ser represado. Mas foi demitido devido aos problemas em sua administração. Varnhagen substituiu Hedberg e construiu os alto-fornos através dos quais fundiu três cruzes em 1 de Novembro de 1818, comprovando o êxito da manipulação do ferro. Uma está na sede da Floresta Nacional de Ipanema, outra no morro Araçoiaba e a última no Zoológico Municipal Quinzinho de Barros em Sorocaba.

 

Para recompensar esses serviços, Dom João VI elevou Varnhagen ao posto de coronel. Em 1821, devido a desentendimentos de ordem ideológica, Varnhagen pediu demissão, utilizando-se do pretexto de ter a necessidade de voltar à Europa para educar o filho. O Conselho Administrativo pediu a Varnhagen que indicasse um oficial para substituí-lo. Dois nomes foram indicados, mas não aceitos pelo Conselho. Voltando para a Europa, Varnhagen levou o filho (futuro Visconde de Porto Seguro) em sua companhia. A fábrica iniciou um processo de decadência, até que em 1834 o brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar, presidente da Província de São Paulo, nomeou o major João Blóem como diretor da fábrica.

 

Blóem trouxe da Europa uma colônia alemã que prestou serviços e deu grande impulso à fabricação de ferro em Ipanema. Mas em 1842, quando parecia começar uma nova era de prosperidade, uma crise política paralisou a fábrica mais uma vez. Com o início da Revolução Liberal de Sorocaba, em maio, Blóem apoiou os rebeldes chefiados pelo brigadeiro Tobias e não impediu a retirada de três canhões que haviam sido fundidos em Ipanema. Os canhões foram levados a Sorocaba pelos envolvidos na revolução e dois deles se encontram até hoje na praça Arthur Fajardo ou “Praça do Canhão”, local onde foram posicionados originalmente. Dessa forma, Blóem foi preso por ordem do Duque de Caxias e destituído do cargo de diretor. A fábrica caiu em abandono novamente.

 

O capitão Antonio Ribeiro de Escobar foi nomeado diretor interino. Em 2 de novembro de 1842 foi nomeado o tenente-coronel Antônio Manuel de Melo de forma efetiva, que não conseguiu impedir a decadência do local. Ficou durante três anos no cargo. Os 20 anos seguintes, entre 1845 e 1865, foram de declínio ainda maior. Cinco diretores passaram por Ipanema nesse período, sendo o Barão de Itapicuru, o major Joaquim José de Oliveira, o general Ricardo José Gomes Jardim, o major Francisco Antonio Raposo e o tenente Francisco Antonio Dias.

 

Para complicar a situação, em 1860 a fábrica foi dissolvida e o governo ordenou que se fundasse outra no Mato Grosso. Para lá foram enviados os técnicos, os oficiais e os escravos, ficando em Ipanema apenas alguns funcionários mais velhos. Não era conhecida a existência de minério de qualidade no Mato Grosso. Tanto que, após cinco anos de pesquisas sem sucesso, não houve descoberta e nem a fundação da outra fábrica. Parte dos equipamentos que seriam transportados de Ipanema ao Mato Grosso ficaram pelo caminho e, por fim, muitos se enferrujaram em Santos.

 

Veio a guerra do Paraguai em 1865 e o plano da mudança foi abandonado de vez. Havia a necessidade de se colocar o maquinário em funcionamento com urgência para produzir material bélico. Essa foi a época em que Ipanema mais produziu ferro. O capitão de engenheiros Joaquim de Sousa Mursa, posteriormente promovido a coronel, foi nomeado para o cargo de diretor em 6 de setembro de 1865. Aos poucos ele conseguiu recompor o estabelecimento, onde permaneceu até 1890. Para ilustrar o prestígio que a fábrica conseguiu durante a administração de Mursa, basta citar que a primeira locomotiva da Estrada de Ferro Sorocabana, quando inaugurada a 10 de julho de 1875, recebeu o nome de “Ipanema”.

 

Em 1895, já sob o governo republicano, as atividades siderúrgicas foram definitivamente encerradas.

 

Carta topográfica de 1812

(História da siderurgia de São Paulo - Jesuíno Felicíssimo Júnior)

 

Tenente-coronel Frederico Luís Guilherme Varnhagen

Diretor da Real Fábrica de Ferro entre 1815 e 1821

(História da siderurgia de São Paulo - Jesuíno Felicíssimo Júnior)

 

Coronel Joaquim de Souza Mursa

Diretor da Real Fábrica de Ferro entre 1865 e 1890

(História da siderurgia de São Paulo - Jesuíno Felicíssimo Júnior)

 

Aspecto da fábrica em funcionamento - década de 1870

(Arquivo Biblioteca Nacional)

 

Aspecto da fábrica em funcionamento - década de 1870

(Arquivo Biblioteca Nacional)

 

Aspecto da fábrica em funcionamento - década de 1870

(Arquivo Biblioteca Nacional)

 

Aspecto da fábrica em funcionamento - 1879

(Arquivo Biblioteca Nacional)

 

Aspecto da fábrica em funcionamento - 1882

(História da siderurgia de São Paulo - Jesuíno Felicíssimo Júnior)

 

Aspecto da fábrica em funcionamento - 1884

(Júlio Durski - Coleção Princesa Isabel)

 

Vista da represa e prédios históricos. Em primeiro plano, o personagem ajuda a acentuar a amplitude da paisagem - 1884

(Júlio Durski - Coleção Princesa Isabel)

 

Vista da represa e prédios históricos - 1884

(Júlio Durski - Coleção Princesa Isabel)

 

Vista da represa e prédios históricos - 1884

(Júlio Durski - Coleção Princesa Isabel)

 

Vista da represa - 1884

(Júlio Durski - Coleção Princesa Isabel)

 

Vista da cachoeira que fica ao lado da Casa de Armas Brancas - 1884

(Júlio Durski - Coleção Princesa Isabel)

 

Ponte sobre o rio Ipanema - 1884

(Júlio Durski - Coleção Princesa Isabel)

 

Vista do alto-forno construído durante a administração de Coronel Mursa - 1884

(Júlio Durski - Coleção Princesa Isabel)

 

Pequena ferrovia no complexo da Real Fábrica de Ferro - 1884

(Júlio Durski - Coleção Princesa Isabel)

 

Grupo de funcionários da Real Fábrica de Ferro - 1884

(Júlio Durski - Coleção Princesa Isabel)

 

Parte do complexo da Real Fábrica de Ferro - 1884

(Júlio Durski - Coleção Princesa Isabel)

 

Parte do complexo da Real Fábrica de Ferro - 1884

(Júlio Durski - Coleção Princesa Isabel)

 

Aspecto da fábrica em funcionamento - 1885

(Arquivo Biblioteca Nacional)

 

O ferro encontrado em Ipanema

 

Quando falamos sobre a riqueza, a Real Fábrica de Ferro de São João do Ipanema foi um verdadeiro “eldorado”, ainda que tenha enfrentado problemas em algumas das suas administrações. A natureza colocou em Ipanema, segundo pesquisas realizadas ainda no século XIX, "o minério mais rico do mundo com aproximadamente 72% de ferro".

 

Frederico Guilherme de Varnhagen, ao referir-se às montanhas que a fábrica explorava, escreveu: “Este grupo de montanhas tem cerca de 3 léguas de comprimento e proporcionada largura. O trecho do morro é de granito e, de norte a sul, no sentido longitudinal, é cortado por três grossos veios de ferro. O mineral solto à superfície do morro é tão rico, que dele se poderia, por mais de cem anos, alimentar a maior fábrica do mundo sem recorrer a trabalho algum de mineração”.

 

O ferro de Ipanema, confrontado com o dos Estados Unidos, inclusive levaria vantagem. Na Exposição Industrial realizada no Rio de Janeiro em 1881, foram expostas rodas de vagões da Estrada de Ferro Dom Pedro II construídas com ferros das duas origens. Ficou provada, naquele evento, a superioridade das rodas de ferro fundido resfriadas na fábrica de Ipanema.

 

Ipanema em 1882

 

“Vista da estação, a fábrica apresenta o aspecto de uma vila administrada por uma boa Câmara Municipal, pois há ordem nos armamentos e bela arborização nas praças. As casas de moradia dos empregados, de construção uniforme, alvejam na encosta da montanha, tendo por fundo da paisagem as verdes matas do Araçoiaba. O rio Ipanema, represado, dilata-se em grande lago de margens sinuosas, com manchas aqui e ali, à superfície d'água. A um lado, o casario das oficinas, de fundição, de refino, de máquinas; a vasta galeria avarandada onde residem os operários. Tudo respira um ar de tranquilidade, de ordem e de paz, parecendo mais uma estação termal desabitada, do que um estabelecimento do governo. Durante as horas de trabalho, ninguém se vê desocupado, cruzando as ruas, “sem ter o que fazer”. A atividade está toda concentrada nas oficinas, junto dos fornos, das forjas, das máquinas de trabalhar o ferro. A hora de começar ou largar o trabalho é marcada pelo apito de um vapor que move o martelo de bater o ferro. Tem-se na fábrica todos os recursos de uma cidade: hotel, padaria, açougue, hospital, médico, farmácia, banda de música de operários”. (FREIRE, 1953)

 

Ipanema após o fim da Real Fábrica de Ferro

 

Em 1895 a propriedade foi transferida para o Ministério da Guerra e se transformou em quartel e depósito. A partir de 1926 foi iniciada a exploração de apatita no morro, perdurando até 1943. Na década de 1950 iniciou-se a exploração de calcário para produção de cimento, cujas atividades foram encerradas no fim da década de 1970.

 

Toda a área de Ipanema foi transferida para o Ministério da Agricultura em 1937 e o Centro de Ensaios e Treinamento de Ipanema (CETI/CENTRI) iniciou os estudos com sementes e máquinas agrícolas. O Centro Nacional de Engenharia Agrícola (CENEA) foi criado em 1975 e deu continuidade às atividades do CETI/CENTRI, sendo desativado no início da década de 1990 durante o governo Collor.

 

Em meados da década de 1980, mesmo sob protestos em toda a região, a Marinha do Brasil instalou um centro de pesquisas em parte das terras da “Fazenda Ipanema”, visando o desenvolvimento de reatores para o submarino nuclear. O CTMSP - ARAMAR foi inaugurado em 4 de abril de 1988 e continua desenvolvendo as atividades. Atualmente, numa área ao lado de ARAMAR, está sendo construído o Reator Multripropósito Brasileiro (RMB) com previsão de entrar em funcionamento em 2017.

 

Ainda em 1988 foi apresentada a proposta para se criar uma estação ecológica, por iniciativa do Ministério da Agricultura, numa área de 2.450 hectares ao longo do morro Araçoiaba. Quatro anos depois, em 16 de maio de 1992, parte da área foi ocupada pelo “Movimento dos sem terra”.

 

Visando a preservação de todo o complexo (fauna, flora e remanescentes históricos), a Floresta Nacional de Ipanema foi criada quatro dias depois da ocupação pelo MST, em 20 de maio de 1992, numa área delimitada em 5.069,73 hectares. A administração passou para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA). A partir de 2007, com a criação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Flona de Ipanema e todas as unidades de conservação federais passaram a ser administradas pelo órgão.

 

Da fase siderúrgica de Ipanema restam hoje alguns monumentos restaurados, como a Casa de Armas Brancas, o casarão da sede, a serraria, o portão homenageando a maioridade de Dom Pedro II, as primeiras cruzes fundidas em 1818, o monumento a Francisco Varnhagen e os fornos de Frederico Varnhagen e Joaquim Mursa. Em contrapartida, ainda há prédios que precisam de recuperação.

 

Vista aérea do morro Araçoiaba e Floresta Nacional de Ipanema

("Nelsinho")

 

"Movimento dos sem terra" ocupa área em Ipanema - 1992

(Arquivo Ronaldo César Messias)

 

Construção de ARAMAR - 1987

(Arquivo Revista Veja)

 

Protesto contra a instalação de ARAMAR - 1987

(Arquivo Jornal Cruzeiro do Sul)

 

Inauguração de ARAMAR - 1988

(Arquivo José Roberto Moraga Ramos)

 

Inauguração de ARAMAR - 1988

Presidentes: Alfonsin (Argentina) e Sarney (Brasil)

(Arquivo Revista Veja)

 

Uma das instalações do complexo ARAMAR

(Jornal Cruzeiro do Sul)

 

Projeto do Reator Multipropósito Brasileiro - ao lado do complexo ARAMAR

(Plano Brasil - www.planobrazil.com)

 

Paróquia de São João de Ipanema

 

Em 1817, poucos anos após a criação da Real Fábrica de Ferro, foi criada a paróquia de São João de Ipanema, tendo o padre Gaspar Antonio Malheiros como o primeiro pároco. Frederico Varnhagen se posicionou contra a criação da paróquia. Ele era de origem protestante e alegava que em Ipanema só deveriam residir os empregados do estabelecimento. Além disso, dizia que os mesmos já tinham sua capela. Assim, ele dificultou a entrada de novos moradores, proibiu o corte de madeiras para construção, a derrubada de matas para lenha ou lavoura e todo o gênero de negócios.

 

Os moradores não tinham outra saída, a não ser escolher um novo local para se estabelecer. Com a saída dessas famílias, houve falta de gente para trabalhar em Ipanema. Os alimentos subiram de preço e o carvão ficou escasso. Durante algum tempo Varnhagen ficou somente com escravos na fábrica. Grande parte desses moradores dirigiu-se para a região de Tatuí, que foi elevada à categoria de paróquia em 1818, tendo como padroeiro o “São João do Benfica”. Invadindo terras alheias, os sertanejos foram se acomodando, mas não demorou muito e alguns tiveram a ideia de mudar a povoação para a região a uma légua de distância do Benfica, onde levantaram outra capela, dessa vez em honra a Nossa Senhora da Conceição. Esse segundo núcleo deu origem à atual Tatuí, cuja fundação ocorreu em 1826.

 

Devido a essas desavenças, muitos moradores preferiram voltar para as áreas no entorno do morro Araçoiaba, sendo as regiões atuais de Iperó, Bacaetava, Iperozinho, Capela do Alto, Araçoiabinha e Araçoiaba da Serra (então Campo Largo, onde foi criada a freguesia de Nossa Senhora das Dores também em 1826).

 

Curiosidades relacionadas a Ipanema

 

Praia de Ipanema

Nome dado pelos índios, Ipanema significa “água ruim, suja, imprópria para o mergulho e a pesca”. Nossa Ipanema não é única: há outras em outros Estados, batizadas pelos índios com o mesmo propósito. Mas a Ipanema carioca (a famosa praia) ganhou esse nome não por causa da sujeira das águas, mas sim por causa da nossa Ipanema. E muita gente não sabe disso.

 

O fato é que José Antônio Moreira Filho (1830-1899), o segundo Barão de Ipanema, comprou as terras onde hoje está localizado o bairro carioca, no fim do século XIX, e fundou, em 1894, a Vila Ipanema. Seu pai, José Antônio Moreira, o primeiro Barão de Ipanema, era um minerador que, ao receber o título de barão em 1847, decidiu homenagear seu local de nascimento, a vila de São João de Ipanema, hoje pertencente a Iperó.

 

Moreira Filho apenas transferiu o título de nobreza da sua família para as terras que acabara de comprar, banhadas por água limpa, cristalina, transparente e piscosa, com areia bastante branca e habitada por milhões de famílias de tatuís. A Ipanema carioca acabou recebendo artificialmente esse nome, pois água ruim e sem peixes era apenas a do rio que passava pela nossa Ipanema.

 

Praia de Ipanema, no Rio de Janeiro, cujo nome se deve à Ipanema iperoense

(Hugo Augusto Rodrigues)

 

Cemitério protestante

Logo no início das atividades da Real Fábrica de Ferro, em Ipanema, muitos europeus (suecos e alemães), todos protestantes, vieram trabalhar no local. Segundo consta, um desses funcionários teria entrado em depressão ao sentir saudades da terra natal e por causa disso acabou se suicidando. Os padres não autorizaram o enterro do homem em cemitério católico e, então, foi pedida uma permissão a Dom João VI para que se construísse um cemitério onde as pessoas de origem protestante pudessem ser enterradas. Com a permissão, em 1811 a direção da Real Fábrica de Ferro construiu aquele que é considerado o primeiro cemitério protestante do Brasil.

 

Cemitério protestante de Ipanema. Construído em 1811, é considerado o primeiro do gênero no Brasil

(Arquivo Carlos Cardoso)

 

Programa Balanço Geral, da TV Record, faz reportagem sobre o cemitério protestante de Ipanema - 2013

(Arquivo Hugo Augusto Rodrigues)

 

Avião "Ipanema"

No fim da década de 1960 começou a tomar forma o projeto para a construção de um avião que auxiliaria na atividade agrícola. O modelo foi batizado com o nome “Ipanema” pelo fato de que, dentro da antiga Fazenda Ipanema, eram ministrados cursos para formação de mão-de-obra especializada em aviação agrícola. Após a criação da Embraer (1969) o projeto foi aperfeiçoado. Em 1972 a primeira unidade do Ipanema saiu da linha de produção. Nos anos seguintes o modelo foi modificado, recebeu equipamentos e características técnicas que melhoraram o seu desempenho. O modelo “atualizado” foi identificado pela Embraer como EMB-201A. 

   

Avião batizado com o nome “Ipanema”, pelo fato de que em Ipanema eram ministrados

cursos para formação de mão-de-obra especializada em aviação agrícola

(Arquivo Revista Voar)

 

Filme “Antonio Conselheiro - Canudos”

Em 1976, já em fase final de filmagens, o diretor do filme “Antonio Conselheiro - Canudos” utilizou a antiga Fazenda Ipanema como cenário para a sequência da destruição de Canudos. A produção era um misto de documentário e ficção dirigida por Carlos Augusto de Oliveira. Era o ator Flávio Portho quem interpretava Antonio Conselheiro. Quem passava de trem no trecho de Ipanema conseguia ver as filmagens das últimas batalhas da guerra de Canudos.

 

Cena de “Antonio Conselheiro – Canudos” filmada em Ipanema em 1976

(Arquivo Revista Veja)

 

"Monge de Ipanema"

Giovanni Maria de Agostini nasceu em Piemonte, na Itália, em 1801. Aspirou a vida sacerdotal durante a juventude, mas não chegou a ser ordenado. Ainda assim, assumiu votos de castidade e pobreza, tornando-se um eremita. De barco, a cavalo ou a pé, Agostini percorreu a Europa e a América improvisando moradia em grutas ou cavernas. Com a missão de salvar almas através da pregação do Evangelho, manteve sempre vivo um desejo: "Quero servir a Deus nos mais terríveis desertos do mundo até o dia de minha morte."

 

Após longas viagens pela Itália, Espanha e França, partiu para a América do Sul em 1838 e chegou à Venezuela. Posteriormente, percorreu a Colômbia, Equador, Bolívia e Peru, até atingir a cidade amazonense de Tabatinga. Atravessou o rio Amazonas numa canoa até Belém, no Pará. Seguiu para o Rio Grande do Norte, Pernambuco e Rio de Janeiro, onde se encontrou com Dom Pedro II e morou durante três meses numa gruta na Pedra da Gávea.

 

Vestia hábito religioso, calçava sandálias rústicas, carregava uma Bíblia, medalhas de Nossa Senhora e um cajado. Os sermões dele utilizavam linguagem forte, gestos, falas sobre o fim do mundo, as penas do inferno e a condenação ao luxo e à avareza, mas também abordavam as possibilidades para a salvação da alma.

 

Agostini fabricava rosários e crucifixos de madeira, que depois eram trocados por alimentos ou dinheiro para prosseguir a peregrinação. Sabia combinar ervas, raízes, folhas e água de fontes para uso medicinal. Receitava chás e preparava remédios. A formação cultural o destacava, pois ele possuía grande conhecimento sobre o Evangelho, Teologia e falava latim e francês.

 

Saiu do Rio de Janeiro e chegou a Sorocaba no fim de 1844. Foi para a região do morro Araçoiaba, atual município de Iperó, onde teria chegado em 28 de dezembro de 1844 e exerceu o ministério durante aproximadamente um ano. Viveu numa cavidade formada pela erosão no arenito, uma espécie de gruta. Da “pedra santa” ou "gruta do monge", como ficou conhecida a área, corre uma água límpida considerada milagrosa. Na região, o eremita ficou conhecido por “monge de Ipanema”, mas raramente descia à vila. Quando descia, era cercado pelo respeito dos moradores e pela zombaria de muitos operários de origem protestante.

 

O eremita se dedicava a penitências, meditações e orações. Ganhou fama de santo e muitas pessoas o procuravam em busca de cura. Em torno dele há diversas lendas e mistérios até hoje. Dois livros lançados no primeiro semestre de 2014, frutos de importantes pesquisas, resgatam toda a trajetória do monge:

 

- “Giovanni Maria de Agostini, Wonder of the Century - The Astonishing World Traveler Who Was A Hermit” (Giovanni Maria de Agostini, maravilha do século - O surpreendente viajante do mundo que era um eremita”). Escrito pelo historiador David G. Thomas e editado em Las Cruces/Novo México (Estados Unidos)

 

- "O Eremita das Américas: a odisseia de um peregrino italiano no século XIX". Escrito pelo professor e pesquisador Alexandre Karsburg a partir de sua tese de doutorado e editado em Santa Maria/Rio Grande do Sul (Brasil)  

 

Saindo da região do morro Araçoiaba, Agostini foi para o sul do Brasil, Paraguai, Argentina, Chile (atravessou o deserto do Atacama e os Andes a pé), Bolívia, Peru e seguiu para a América do Norte. Passou pelo Panamá, Guatemala, México, Cuba e Estados Unidos. De Nova Iorque foi a Montreal, no Canadá. Retornou ao oeste americano, inicialmente atravessando o rio Mississipi numa canoa. Seguiu pelo Missouri, Texas e chegou ao Novo México em meio à Guerra Civil Americana, onde fixou moradia na área chamada de “La Cueva”, em Las Cruces. Apesar de bastante respeitado em todos os lugares que percorreu, o “monge de Ipanema” acabou assassinado em Mesilla, região de Las Cruces, em abril de 1869. Diversas investigações foram feitas, mas o autor do crime nunca foi encontrado. A morte do eremita faz parte de uma lista de crimes nunca solucionados naquela área dos Estados Unidos.

 

Em Iperó, milhares de pessoas visitam a "gruta do monge" ou "pedra santa" anualmente como forma de homenagear a memória de Agostini.

 

              

Giovanni Maria de Agostini fotografado no Novo México

(Arquivo David G. Thomas)

 

              

À esquerda, livro escrito por David G. Thomas e lançado em 2014. À direita, livro escrito por Alexandre Karsburg e também lançado em 2014.

 

Túmulo de Giovanni Maria de Agostini em Mesilla (Estados Unidos)

(Arquivo Alexandre Karsburg - Caminhos do Monge)

 

                      

Busto de Giovanni Maria de Agostini

Inaugurado na Flona de Ipanema em 20 de março de 2015 como parte das comemorações dos "50 anos de emancipação política de Iperó"

(Karina Lolli / Hugo Augusto Rodrigues / Ronaldo César Messias)

 

Caminho em direção à "pedra santa"

(Ronaldo César Messias)

 

Altar existente na "gruta do monge"

(Ronaldo César Messias)

 

"Gruta do monge" ou "pedra santa"

(Ronaldo César Messias)

 

Nascente na gruta

(Ronaldo César Messias)

 

"Visconde de Porto Seguro" - 200 anos (1816-2016)

Francisco Adolpho de Varnhagen nasceu em São João de Ipanema (atual Iperó) em 17 de fevereiro de 1816. Era filho de Frederico Luís Guilherme de Varnhagen e Maria Flávia de Sá Magalhães. Estudou no Real Colégio da Luz em Lisboa, entre 1825 e 1832, de onde ingressou na Academia de Marinha e frequentou o curso entre 1832 e 1833.

 

A extensa obra de Varnhagen inclui, entre os mais importantes escritos, "O descobrimento do Brasil", "O Caramuru perante a história", "Tratado Descritivo do Brasil em 1587", "História completa das lutas holandesas no Brasil", "Épicos brasileiros", "Florilégio da poesia brasileira", "Amador Bueno", "Cancioneiro" e "Literatura dos livros de cavalaria". É considerado um dos maiores historiadores brasileiros e passou à posteridade como o “Pai da História do Brasil”.

 

Pouco antes de morrer, em sua última visita ao Brasil e à Real Fábrica de Ferro, oficializou o desejo de ser sepultado no alto do morro Araçoiaba, onde deveria ser construído um momento à memória dele. Faleceu em Viena, Áustria, em 26 de junho de 1878. Quatro anos depois, em 1882, o monumento foi construído e até hoje recebe a visita das pessoas que passam pela Floresta Nacional de Ipanema. Mas os restos mortais dele ainda não estão lá. Encontram-se em Sorocaba.

 

O "Visconde de Porto Seguro" é o patrono da cadeira nº 39 da Academia Brasileira de Letras.

 

 

Francisco Adolfo de Varnhagen, o Visconde de Porto Seguro

Considerado o "Pai da história do Brasil"

(Arquivo Biblioteca Nacional de Portugal)

 

Francisco Adolfo de Varnhagen, o Visconde de Porto Seguro

(Arquivo Biblioteca Nacional)

 

Cruzeiro da pedra santa - próximo ao Monumento a Varnhagen

(Ronaldo César Messias)

 

Monumento a Varnhagen

(Ronaldo César Messias)

 

Alunos do antigo CENEA (Centro Nacional de Engenharia Agrícola) visitando o Monumento a Varnhagen - 1979

(Arquivo Comandante Delfino - aventureirosdoar44.blogspot.com)

 

Monumento a Varnhagen, construído em local escolhido pelo próprio

historiador em sua última visita ao Brasil e à Real Fábrica de Ferro de Ipanema

(Fábio Mike)

 

A

MEMÓRIA

DE VARNHAGEN,

VISCONDE DE PORTO SEGURO,

NASCIDO NA TERRA FECUNDA

DESCOBERTA POR COLOMBO.

INICIADO POR SEU PAI

NAS COUZAS GRANDES E ÚTEIS,

ESTREMECEO SUA PÁTRIA

E ESCREVEO-LHE A HISTÓRIA.

SUA ALMA IMMORTAL REÚNE

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RECORDAÇÕES

 

Detalhe na lateral do Monumento a Varnhagen

(Neide Weingrill - neideweingrill.com.br)

 

Gravura retratrando a visita da Família Real ao Monumento a Varnhagen

Legenda original diz: "S.S.A.A Imperiaes visitando no dia 11 de Novembro de 1884,

O MONUMENTO ELEVADO EM 1882 NO MORRO ARAÇOYABA (YPANEMA)

à memória de Varnhagen, Visconde de Porto Seguro"

(Arquivo Bernadete Holtz Ribeiro - holtzgen.com)

 

Vista panorâmica a partir do Monumento a Varnhagen

(Ronaldo César Messias)

 

Vista panorâmica a partir do Monumento a Varnhagen

(Ken Badgley)

 

Visão panorâmica a partir do Monumento a Varnhagen

(Sheila Moraes)

 

Visão panorâmica a partir do Monumento a Varnhagen

(Sheila Moraes)

 

Ipanema - do início do século XX aos dias atuais

 

Visita a Ipanema em 1905

(Edmundo Krug - Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo)

 

Visita a Ipanema em 1905

(Edmundo Krug - Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo)

 

Visita a Ipanema em 1905

(Edmundo Krug - Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo)

 

Visita a Ipanema em 1905

(Edmundo Krug - Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo)

 

Alto-fornos construídos em 1818 e bastante utilizados na Real Fábrica de Ferro - 1949

(Luiz Simonetti - Arquivo Daniel Gentili)

 

Alto-fornos construídos em 1818 durante a administração de Frederico Varnhagen - 1957

Importante atentar para a imponência das construções em relação à estatura de uma pessoa adulta

(Dinho Vianna - Arquivo Wilson Alves)

 

Alto-fornos construídos em 1818 durante a administração de Frederico Varnhagen - 1957

(Dinho Vianna - Arquivo Wilson Alves)

 

Alto-fornos construídos em 1818 durante a administração de Frederico Varnhagen - 1992

(Arquivo José Roberto Moraga Ramos)

 

Alto-fornos construídos em 1818 durante a administração de Frederico Varnhagen

(Victor Moraga Ramos)

 

Alto-fornos construídos em 1818 durante a administração de Frederico Varnhagen

(Caio Meneses Azevedo)

 

Fornos para fabricação de carvão construídos em 1912 - 1949

(Luiz Simonetti - Arquivo Daniel Gentili)

 

Fornos para fabricação de carvão construídos em 1912 - década de 1960

(Tibor Jablonsky - Cópia Daniel Gentili)

 

Fornos para fabricação de carvão construídos em 1912 - década de 1960

(Tibor Jablonsky - Cópia Daniel Gentili)

 

Interior de um dos fornos para fabricação de carvão

(Neide Weingrill - neideweingrill.com.br)

 

Locomotivas abandonadas próximo à sede da Floresta Nacional de Ipanema - 1975

(Arquivo Mário Bock)

 

Locomotivas abandonadas próximo à sede da Floresta Nacional de Ipanema - 2010

(Autor desconhecido)

 

Vista aérea da antiga Fazenda Ipanema (atual Floresta Nacional de Ipanema) - 21 de maio de 1940

Arquivo: "Coleção de Aerofotos oblíquas"

Secretaria de Economia e Planejamento do Estado de São Paulo

Coordenadoria de Planejamento e Avaliação

Instituto Geográfico e Cartográfico

 

Vista aérea da antiga Fazenda Ipanema (atual Floresta Nacional de Ipanema) - 1979

("Cruzeiro do Sul")

 

Selo em comemoração ao aniversário de Iperó homenageia a Floresta Nacional de Ipanema - 2010

(Arquivo Prefeitura Municipal de Iperó)

 

Estrada entre Bacaetava e Ipanema - ao fundo parte do morro Araçoiaba

(José Roberto Moraga Ramos)

 

Estrada entre Bacaetava e Ipanema - ao fundo parte do morro Araçoiaba

(José Roberto Moraga Ramos)

 

Estrada de acesso à Floresta Nacional Ipanema

(Victor Moraga Ramos)

 

Estrada de acesso à Floresta Nacional de Ipanema

(José Roberto Moraga Ramos)

 

Estrada de acesso à Floresta Nacional de Ipanema

(José Roberto Moraga Ramos)

 

Estrada de acesso à Floresta Nacional de Ipanema

(Luiz Bertini)

 

Suposta pirâmide no alto do Morro Araçoiaba

(José Roberto Moraga Ramos)

 

Vista a partir do "Mirante da chilena". Após uma queimada, nota-se a vegetação em crescimento (década de 1990)

(Ronaldo César Messias)

 

Vista a partir do "Mirante da chilena": Sorocaba ao fundo

(Ronaldo César Messias)

 

Alunos do antigo CENEA (Centro Nacional de Engenharia Agrícola) visitando algumas das antigas ruínas - 1979

(Arquivo Comandante Delfino - aventureirosdoar44.blogspot.com)

 

Alunos do antigo CENEA (Centro Nacional de Engenharia Agrícola) visitando algumas das antigas ruínas - 1979

(Arquivo Comandante Delfino - aventureirosdoar44.blogspot.com)

 

Alunos do antigo CENEA (Centro Nacional de Engenharia Agrícola) visitando algumas das antigas ruínas - 1979

(Arquivo Comandante Delfino - aventureirosdoar44.blogspot.com)

 

Alunos do antigo CENEA (Centro Nacional de Engenharia Agrícola) visitando algumas das antigas ruínas - 1979

(Arquivo Comandante Delfino - aventureirosdoar44.blogspot.com)

 

Aspecto do complexo arquitetônico de Ipanema

(Ariane Dellai)

 

Aspecto do complexo arquitetônico de Ipanema - morro e represa ao fundo

(Hugo Augusto Rodrigues)

 

Aspecto do complexo arquitetônico de Ipanema - morro e represa ao fundo

(Hugo Augusto Rodrigues)

 

Uma das primeiras cruzes fundidas em Ipanema - exposta próxima ao antigo casarão da sede

(Isabel Pakes)

 

Alto-forno finalizado em 1885, durante a administração de Coronel Mursa, que nunca chegou a funcionar - década de 1960

Ao fundo, os alto-fornos construídos em 1818 durante a administração de Frederico Varnhagen

(Tibor Jablonsky - Cópia Daniel Gentili)

 

Alto-forno finalizado em 1885, durante a administração de Coronel Mursa, que nunca chegou a funcionar

(Dinho Vianna - Arquivo Wilson Alves)

 

Alto-forno finalizado em 1885, durante a administração de Coronel Mursa, que nunca chegou a funcionar - 1979

Ao fundo, os alto-fornos construídos em 1818 durante a administração de Frederico Varnhagen

(Arquivo Comandante Delfino - aventureirosdoar44.blogspot.com)

 

Alto-forno finalizado em 1885, durante a administração de Coronel Mursa, que nunca chegou a funcionar - 2009

Ao fundo, os alto-fornos construídos em 1818 durante a administração de Frederico Varnhagen

(José Roberto Moraga Ramos)

 

Alto-forno finalizado em 1885, durante a administração de Coronel Mursa, que nunca chegou a funcionar

(Victor Moraga Ramos)

 

Canais que transportavam água para movimentar as máquinas na área dos alto-fornos

(Caio Meneses Azevedo)

 

Filhote de Urubu encontrado próximo aos alto-fornos de Varnhagen e Mursa

(Caio Meneses Azevedo)

 

O rio Ipanema foi o primeiro rio brasileiro a ser represado

(Caio Meneses Azevedo)

 

Aspecto do curso do rio Ipanema

(Caio Meneses Azevedo)

 

Aspecto do curso do rio Ipanema

(José Roberto Moraga Ramos)

 

Represa construída por Hedberg (primeiro diretor da Real Fábrica de Ferro) em 1811

(Victor Moraga Ramos)

 

Represa construída por Hedberg (primeiro diretor da Real Fábrica de Ferro) em 1811

(Luciane de Arruda Miranda Siviero)

 

Represa construída por Hedberg (primeiro diretor da Real Fábrica de Ferro) em 1811

(Ronaldo César Messias)

 

Represa construída por Hedberg (primeiro diretor da Real Fábrica de Ferro) em 1811

(Hugo Augusto Rodrigues)

 

Uma das comportas da represa

(Ronaldo César Messias)

 

Casarão que serviu como sede da administração da Real Fábrica de Ferro

(Ronaldo César Messias)

 

Anexo ao prédio da administração da Real Fábrica de Ferro, construído para receber D. Pedro II durante suas visitas a Ipanema

(Ronaldo César Messias)

 

         

Interior da Capela de São João Batista e o altar com a imagem do padroeiro e outros santos - ao lado, a pia batismal no interior da capela

(Isabel Pakes)

 

Procissão na Fazenda Ipanema - década de 1940

(Isabel Pakes)

 

Procissão na Fazenda Ipanema - década de 1940

(Isabel Pakes)

 

Procissão na Fazenda Ipanema - década de 1940

(Isabel Pakes)

 

Procissão na Fazenda Ipanema - década de 1940

(Isabel Pakes)

 

Procissão na Fazenda Ipanema - década de 1940

(Isabel Pakes)

 

Procissão na Fazenda Ipanema - década de 1940

(Isabel Pakes)

 

Procissão na Fazenda Ipanema - década de 1940

(Isabel Pakes)

 

Escola em funcionamento na Floresta Nacional de Ipanema e o morro Araçoiaba ao fundo

(Isabel Pakes)

 

Formação de pedras próxima à represa

(Isabel Pakes)

 

Represa construída por Hedberg e o morro Araçoiaba ao fundo

(Ariane Dellai)

 

Represa construída por Hedberg e parte da fábrica ao fundo

(Neide Weingrill - neideweingrill.com.br)

 

Represa construída por Hedberg e parte da fábrica ao fundo

(Ronaldo César Messias)

 

Represa construída por Hedberg vista a partir do interior da antiga Casa da Guarda

(Luciane Miranda de Arruda Siviero)

 

Moradores ao lado da represa e o morro Araçoiaba ao fundo - 1949

(Luiz Simonetti - Arquivo Daniel Gentili)

 

Moradores ao lado da represa e o morro Araçoiaba ao fundo - 1949

(Luiz Simonetti - Arquivo Daniel Gentili)

 

Moradores ao lado da represa - 1949

(Luiz Simonetti - Arquivo Daniel Gentili)

 

Moradores ao lado da represa - 1949

(Luiz Simonetti - Arquivo Daniel Gentili)

 

Represa e construções da antiga Real Fábrica de Ferro - 1951

(Dinho Vianna - Arquivo Wilson Alves)

 

Represa e construções da antiga Real Fábrica de Ferro - 1951

(Dinho Vianna - Arquivo Wilson Alves)

 

Aspecto da vila - 1951

(Dinho Vianna - Arquivo Wilson Alves)

 

Aspecto da vegetação de cerrado na região de Ipanema - década de 1960

(Tibor Jablonsky - Cópia Daniel Gentili)

 

Estrada de acesso a Ipanema e o morro Araçoiaba ao fundo - década de 1960

(Tibor Jablonsky - Cópia Daniel Gentili)

 

Morro Araçoiaba visto a partir da região de Boituva - década de 1960

(Tibor Jablonsky - Cópia Daniel Gentili)

 

Aspecto das casas da vila

(Ariane Dellai)

 

Cachoeira do rio Ipanema funciona como o "ladrão" da represa

(Victor Moraga Ramos)

 

Cachoeira do rio Ipanema e a antiga serraria ao lado

(Ariane Dellai)

 

Cachoeira do rio Ipanema e a antiga serraria ao lado

(José Roberto Moraga Ramos)

 

Cachoeira do rio Ipanema - aspecto noturno do local

(Luís Gustavo Lopes)

 

Moradores ao lado da ponte - 1949

(Luiz Simonetti - Arquivo Daniel Gentili)

 

Ponte sobre o rio Ipanema

(Ariane Dellai)

 

Ponte sobre o rio Ipanema

(Hugo Augusto Rodrigues)

 

Ponte sobre o rio Ipanema

(Ariane Dellai)

 

Ponte sobre o rio Ipanema

(Victor Moraga Ramos)

 

Ponte sobre o rio Ipanema

(Victor Moraga Ramos)

 

Ponte sobre o rio Ipanema

(Ronaldo César Messias)

 

Ponte sobre o rio Ipanema - aspecto noturno do local

(Luís Gustavo Lopes)

 

Ponte sobre o rio Ipanema após a restauração - 2015

(Hugo Augusto Rodrigues)

 

Aspecto do conjunto arquitetônico de Ipanema - década de 1960

(Tibor Jablonsky - Cópia Daniel Gentili)

 

26 de agosto de 1977: equipe coordenada pelo pesquisador José Monteiro Salazar encontra as antigas construções de Afonso Sardinha

Delmino Veríssimo, funcionário do IBAMA e integrante da equipe, foi quem encontrou as ruínas

Dias depois, foram encontradas também as supostas ruínas dos fornos de Domingos Pereira Ferreira

("Cruzeiro do Sul" - Arquivo Hugo Augusto Rodrigues)

 

Vista aérea da Fazenda Ipanema (atual Floresta Nacional de Ipanema) - Casa de Armas Brancas parcialmente destruída (9 de julho de 1939)

Arquivo: "Coleção de Aerofotos oblíquas"

Secretaria de Economia e Planejamento do Estado de São Paulo

Coordenadoria de Planejamento e Avaliação

Instituto Geográfico e Cartográfico

 

Casa de Armas Brancas, supostamente construída em 1870

Destruição parcial - 1949

(Luiz Simonetti - Arquivo Daniel Gentili)

 

Casa de Armas Brancas, supostamente construída em 1870

Destruição parcial - década de 1950

(Tibor Jablonsky - Cópia Daniel Gentili)

 

Casa de Armas Brancas, supostamente construída em 1870

Destruição parcial - 1957

(Dinho Vianna - Arquivo Wilson Alves)

 

Casa de Armas Brancas, supostamente construída em 1870

Destruição parcial - 1957. Alunos de Boituva em visita ao local

(Dinho Vianna - Arquivo Wilson Alves)

 

Aspecto da Casa de Armas Brancas durante período de restauração - 1969

(História da siderurgia de São Paulo - Jesuíno Felicíssimo Júnior)

 

Interior da Casa de Armas Brancas durante período de restauração - 1969

(História da siderurgia de São Paulo - Jesuíno Felicíssimo Júnior)

 

Casa de Armas Brancas restaurada

(Ariane Dellai)

 

Interior da Casa de Armas Brancas restaurada

(Ariane Dellai)

 

Interior da Casa de Armas Brancas restaurada

(Ronaldo César Messias)

 

Interior da Casa de Armas Brancas restaurada

(Ronaldo César Messias)

 

Interior da Casa de Armas Brancas restaurada

(Luciane de Arruda Miranda Siviero)

 

Equipamento utilizado para a confecção de peças na Casa de Armas Brancas (século XIX)

(Ronaldo César Messias)

 

Equipamento utilizado para a confecção de peças na Casa de Armas Brancas (século XIX)

(Ronaldo César Messias)

 

Rio Ipanema, serraria (ao fundo) e a Casa de Armas Brancas

(Ronaldo César Messias)

 

Antiga locomotiva utilizada para os trabalhos realizados na Real Fábrica de Ferro

(Ariane Dellai)

 

Antiga locomotiva utilizada para os trabalhos realizados na Real Fábrica de Ferro

(Tiago Amato)

 

Relógio de Sol construído em 1863

(Caio Meneses Azevedo)

 

Casa da Guarda

(Luciane de Arruda Miranda Siviero)

 

Interior da antiga Casa da Guarda

(Ronaldo César Messias)

 

Escada desenvolvida em Ipanema para a antiga Casa da Guarda

(Ronaldo César Messias)

 

Detalhe da escada da antiga Casa da Guarda

(Ronaldo César Messias)

 

Casa da Guarda: portão forjado em Ipanema, no século XIX,

em homenagem à maioridade do imperador Dom Pedro II

(Ariane Dellai)

 

Durante anos a antiga serraria ficou abandonada, sendo castigada pela ação do tempo

(Ariane Dellai)

 

Atualmente, a antiga serraria está restaurada de acordo com as características originais

(Ronaldo César Messias)

 

Torres existentes no alto do morro Araçoiaba

(Ronaldo César Messias)

 

Torres existentes no alto do morro Araçoiaba

(Ronaldo César Messias)

 

Torres existentes no alto do morro Araçoiaba

(José Roberto Moraga Ramos)

 

Vista panorâmica a partir das torres existentes no alto do morro Araçoiaba

(Ken Badgley)

 

Um dos marcos de divisa da área da Floresta Nacional de Ipanema

(Ronaldo César Messias)

 

"Retratos de Ipanema" - 2008

Contato: gilpanzer@gmail.com

 

"Gilson Sanches, através de minuciosa pesquisa e com um rigoroso critério científico,

nos traz a história de Ipanema e região, mostrando-nos que a beleza da paisagem se confunde com a beleza da história de homens

que foram os pioneiros do desenvolvimento industrial de nosso país."

(Arquivo Hugo Augusto Rodrigues)

 

"Histórias Illustradas de Ypanema e do Araçoyaba" - 2011

Contato: gilpanzer@gmail.com

 

"A riqueza da cultura folclórica que floresceu ao pé do morro é de incomparável importância, pois mescla um imenso universo de objetos que,

perscrutados à luz da diversidade, revelam a própria identidade do homem, que jamais perdeu suas crenças e seus valores, mas permitiu somar

suas tradições àquelas trazidas, de muito longe, por seus pares."

(Arquivo Hugo Augusto Rodrigues)

 

Rosquinhas de fubá da Fazenda Ipanema - receita de 1887

Disponível no site "Roteiro Gastronomico de Portugal" (poderia ser adotada como a 'comida-símbolo' de Iperó)

 

Ingredientes: 2 colheres (café) de sal, 2 xícaras (chá) de farinha de trigo, 1 xícara (chá) de fubá, 1 xícara (chá) de açúcar,

1 colher (sopa) de fermento em pó, 2 ovos, leite e 1 colher (sobremesa) de erva doce.

Preparo: Juntar os ingredientes, menos o leite, que deverá ser colocado aos poucos até dar a consistência na massa. 
Amassar bem. Colocar o óleo para esquentar (deve ficar no fogo baixo), modelar as rosquinhas e fritá-las. 
Depois de fritas, polvilhar com uma mistura de açúcar e canela.

 

 

Os dados disponíveis no site podem ser utilizados, desde que não sejam omitidos os créditos das imagens e dos textos.

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